19 de janeiro de 2009

Medo.

“O amor elimina o medo; mas reciprocamente o medo elimina o amor. E não apenas o amor. O medo elimina a inteligência, elimina a bondade, elimina todo o pensamento de beleza e verdade. Só persiste o desespero mudo ou forçosamente jovial de quem presente a obscena Presença no canto do quarto e sabe a porta está trancada, que não há janelas. E então a coisa o acomete (...). E num instante o seu terror silencioso se transforma em frenesi tão violento quanto inútil. Não é mais um homem entre seus semelhantes, não mais um ser racional falando articuladamente a outros seres racionais; somente um animal ferido, ululando e se debatendo na armadilha. Pois, no fim, o medo elimina no homem a própria humanidade. E o medo, meus bons amigos, O MEDO É A PRÓPRIA BASE E FUNDAMENTO DA VIDA MODERNA. Medo da tão apregoada tecnologia que, enquanto eleva o nosso padrão de vida, aumenta a probabilidade de nossa morte violenta. Medo da ciência que tira com uma das mãos ainda mais do que tão prodigamente distribui com a outra. Medo das instituições manifestamente fatais pelas quais, em nossa lealdade suicida, estamos prontos a matar ou morrer. Medo dos Grandes Homens que elevamos, por aclamação popular, a um poder que eles usam, inevitavelmente para nos massacrar e escravizar. Medo da guerra que não queremos, mas fazemos de tudo para desencadear...”


William Tallis em "O macaco e a essência" (Aldous Huxley, 1948).

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