14 de fevereiro de 2008

Aquela obra anti-skate

A paisagem urbana é toda dominada por carros. Para qualquer lado que se olhe eles estão lá, volumosos e velozes. Seja na parede de taipas do Pátio do Colégio, seja na frente da reformada Pinacoteca ou quase sobre o altar da Igreja da Consolação. Este fato por si já provoca restrição do uso do espaço urbano pela maior parte das pessoas. Mas e quando os próprios habitantes da cidade restringem o ir e vir dos outros habitantes? Além das muito comuns restrições as ruas sem saída, temos o caso das ruas onde simplesmente a diversão é proibida, “fora-da-lei”. Esse é o caso da Praça Horácio Sabino, na fronteira Sumaré - Vila Madalena, ou seja lá qual bairro for. Trata-se, na verdade tratava-se, de uma praça onde a ladeira, suave, lisa como um pêssego, era utilizada por skatistas, principalmente os portando long boards, dadas aquelas características. A moçada dividia a praça com o pessoal do bairro que ia dar uma corridinha, levar o cachorro também para dar uma corridinha e por aí vai. E não é que de um dia pro outro a prefeitura, sucumbindo às pressões dos moradores da rua, constrói faixas de paralelepípedos separadas uns 3 metros umas das outras, durante toda sua extensão para impedir o esporte? Pois é, aconteceu e a risível justificativa era de que aquela é uma obra anti-enchente, visando diminuir a enxurrada rua abaixo! Eu até acho que os skates poderiam incomodar, mas tenho certeza que outras soluções poderiam ter sido dadas de modo a não matar mais um dos escassos espaços públicos arborizados e tudo mais, que facilitavam a interação entre as pessoas e por que não dizer, protegia a rua, pois a posse da rua é do povo, oras.

Algum tempo depois, dada a repercussão, a prefeitura prometeu reverter a burrada, ou o equivoco, como quiserem, mas eu nem preciso falar se isso aconteceu de fato.

Um comentário:

Carlos Hotta disse...

Ridículo, né? Porque ruas seguras são ruas vazias! Afe!