27 de fevereiro de 2008

Um passeio no Mundo Livre

Semana passada, como a maioria ficou sabendo, Fidel Castro, presidente, ditador, chefe, comandante, herói e corneteiro de Cuba renunciou ao cargo. Uma grande parte das pessoas não-cubanas comemorou o fato, vislumbrando os passeios de Cuba no “Mundo Livre” e a pá de cal na Revolução Soviética do começo do século passado. Eu pessoalmente não vejo tantos motivos assim para a comemoração, sobretudo com relação a experiência soviética. Sejamos francos, conhecemos no dia a dia poucos cubanos e pouquíssimos soviéticos de modo que possamos ter uma visão crítica, imparcial e isenta sobre o assunto. Daqui nós vemos as coisas nesse bloco socialista sob os filtros ideológicos da grande mídia, que procura sempre que possível demonizar aquela experiência. Evidente que seria outro pais, com outras pessoas, mentalidade e cultura se os principais veículos de comunicação fizessem a apologia ao socialismo e ao comunismo sendo estes a fonte de acumulação de capitais por parte de seus donos.

Devemos lembrar que, pelo que consta, a Rússia e Cuba antes das Revoluções eram feudos de Czares e milionários de Miami respectivamente e depois de alguns anos, menos do que os que temos de República, a Rússia (ou União Soviética) ficou ombro a ombro com os EUA na corrida espacial, por exemplo ou Cuba desenvolveu um aparato social que qualquer um dos vários milhões de brasileiros das classes C, D e E invejariam. Ou seja saíram melhores do que entraram. A “reentrada" da Rússia sim foi catastrófica, pulando direto para um neoliberalismo que construiu toda aquela máfia e tudo mais.

Esperamos que Cuba não tenha o mesmo fim. A dimensão da nossa doutrinação ideológica fica clara quando percebi que ninguém discute as questões da Revolução, o que podia ter dado certo, o que deu errado, como as coisas poderiam funcionar como alternativa ao nosso capitalismo neoliberal. Quer dizer, para quase todo mundo, estamos fadados a participar do enriquecimento de 1% da população e ficarmos com as migalhas. A verdade única e imutável é que seremos assim para sempre, cultuando o deus dinheiro e fazendo o que for necessário para conseguí-lo, desde assaltar velhinha na porta do banco a invadir paises do outro lado do mundo. Qualquer idéia que mude a ordem do pensamento vigente é logo atacada e ironizada. Isso é ruim, nos conduz ao discursso único e pouca evolução. E isso acontece o tempo todo.
Vejo com muito bons olhos as experiências, pensamentos e tentativas de melhorar o funcionamento dos paises e do mundo e pouco a comemorar com o fim de um movimento que no mínimo pretendia tornar todos os cidadãos iguais.

É difícil aqui em São Paulo pensar numa coisa dessas, sem propriedade particular, coletivização, divisão de bens e pessoas iguais sem que o poder econômico dite o valor dessas pessoas. Cabe aqui questionar a quem serve essa doutrina, quem ganha e quem perde com isso e se quem nos empurra a verdade universal, a verdade de Deus goela abaixo tem pensado com o bolso ou com e cérebro.


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