31 de janeiro de 2008

Bike, Bike e Bike


Coloquei ai ao lado alguns links que eu acho interessantes, dentro do contesto do blog. Um dos mais importantes, sim, importantes, é o Apocalipse Motorizado. O blog é um dos principais divulgadores e articuladores dos ciclistas na guerrilha contra os automóveis. A lógica é muito simples. 1 carro transporta em média 1 pessoa, consome N litros de combustível, gera X toneladas de monóxido de carbono, 3 carros (3 pessoas) ocupam o espaço de um ônibus (umas 45 pessoas) e ocupam 70% do espaço urbano público. Daí o lance das bicicletas entrando no meio para tirar o espaço do carro, não só como meio de transporte mais rápido e limpo mas também como um agente libertador desse espaço público. A bicicleta deve ser integrada com outros meios de transporte, como o metrô, trem e ônibus para aumentar a eficiência de locomoção e, para tanto, há a necessidade destes pontos chave da cidade possuirem bicicletários e uma rede de ciclovias que os liguem as zonas residênciais. Pessoalmente penso que a idéia das bicicletas como meio de transporte esbarra na questão do que as pessoas pensam sobre liberdades individuais (e também na remediavel falta de infra-estrutura). Acho que em determinados nichos e segmentos da população você será excomungado caso sugira que o indivíduo deixe a caranga em casa e use um meio de transporte coletivo e/ou sustentável. O argumento, aposto, seria que vivemos num pais democrático e capitalista e a lógica destes dois modelos é de que eu posso fazer o que quiser, ter o que bem entender e fazer uso desse bem do jeito que me der na telha. A questão, porém, ultrapassa os limites da má vontade e/ou preguiça individual. Vivemos em um lugar com quase 11 milhões de habitantes, mais um monte de milhares que vem à cidade para realizar suas atividades e desta forma não há alternativa de mínima qualidade de vida se não houverem “sacrifícios” e restrição destas supostas liberdades de consumo, percebe?
ps: chupinhei a imagem acima do referido blog.

30 de janeiro de 2008

Viaduto Santa Efigênia


O viaduto que liga, portanto, o Largo Santa Efigênia, com igreja e tudo ao outro lado do vale do Rio Anhangabaú, onde se localiza o mosteiro de São Bento. A parábola é que o viaduto tem origem inglesa, trazido peça por peça e montado em São Paulo.

29 de janeiro de 2008

Links

Na base do vamos-ver-o-que-vai-dar estou mexendo no blog e consegui aí do lado esquerdo da tela colocar uma seção de links.

São Paulo 454 anos

Na última sexta São Paulo completou 454 anos, mas com corpinho de 453. E por conta do aniversário da cidade, participei de dois eventos especiais, um na quarta (23) e outro na quinta (24). O primeiro foi um bate-papo entre colunistas da Folha de S. Paulo no auditório do MASP. Neste encontro estiveram presentes Gilberto Dimenstein, Bárbara Gancia, Danuza Leão e Delfim Netto, todos colunistas do jornal. Foram abordados diversos temas, principalmente versando sobre o espaço físico da cidade e a fauna que o compõe. Foi um evento extremamente interessante, pois pude observar entre os 3 colunistas paulistanos (Danuza Leão é carioca e disse que “nunca veio a São Paulo sem ter compromisso profissional”) perspectivas diferenciadas quanto a cidade. Pelo lado do Gilberto percebesse e ele deixa claro isto, que há otimismo quanto aos rumos da cidade, Gancia já é mais cética, principalmente quanto a algumas regiões da cidade, como a cracolândia, com relação a mudanças qualitativas. Já Delfim Netto tem as posições esperadas para um burocrata da cidade, membro do finado PFL e amigo de Paulo Maluf. Adivinha quem ficou reticente tanto a idéia do pedágio no centro da cidade como a conscientização do paulistano em deixar o carro em casa, principalmente os que utilizam os utilitários para levar o poodle ao pet shop ou as crianças para escola? Alguns o chamariam de conservador. De maneira geral, no entanto, o clima foi de grande otimismo com os rumos da cidade e orgulho de qualidades que possuímos e do nosso nível de desenvolvimento social. A cidade está borbulhando de ações e pessoas que realmente querem morar, desenvolver e serem felizes aqui, deixando de lado o que Dimenstein chamou de “mentalidade bandeirante”. Afinal se é para viver na polis, que seja em São Paulo.

O outro evento

Participei, como dito, de outro evento no dia 24. Tratou-se da apresentação de diversos indicadores sociais obtidos através de pesquisas do Ibope e de dados oficiais, capitaneado pelo Movimento Nossa São Paulo (www.nossasaopaulo.org.br). O evento, dessa forma, serviu como lançamento do “Observatório Cidadão” onde a população, e isso eu digo me referindo a você e eu. A idéia central é poder acompanhar o desenvolvimento de diversos indicadores sociais e a percepção do paulistanos quanto a cidade ao longo do tempo. No site os dados obtidos podem ser visualizados com diversas opções de navegação, como a comparação dos indicadores nas diversas subprefeituras da cidade. Foi um evento interessantíssimo realizado no teatro do Sesc Consolação, coalhado de autoridades e figuras políticas e sociais importantes. Alguns dos indicadores particularmente me chamaram a atenção como a proporção de pessoas que acham SP um lugar bom para se viver ou tem orgulho da cidade (63% e 83%, respectivamente). Mais detalhes podem ser obtidos no link (http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/files/ApresentacaoIndicadoresPercepcaoSaoPaulo.pdf) onde você pode pegar o pdf da pesquisa toda. Neste evento, a exemplo do que acontecera na noite anterior no evento da Folha, notei otimismo entre as pessoas no sentido de mudarmos nossa cidade, tornando-a mais humana e viva, além de um sentido de união que eu mesmo desconfiava.

A outra na ferradura

E como nem tudo dá certo, como podemos perceber que aqui não é para principiantes, na missa oficial do aniversário de SP na Sé, um morador de rua ou algo assim, já que esse não foi o foco da matéria da Folha, partiu para cima do prefeito armado com uma faca de cozinha. Logo foi dominado, mas não sem antes gritar “Mata eu São Paulo” (sic). Quer dizer, que mesmo que o sujeito estivesse embriagado, é de se pensar o que estamos fazendo, ou onde estamos vivendo para o cara subir no altar e gritar “mata eu São Paulo”. Como disse, os motivos do desespero não era o foco da matéria.
Mais curioso ainda foi que houve diversos furtos na Catedral, algumas personalidades como o Senador Suplicy, perderam a carteira. Segundo uma das vítimas, a segurança na igreja era boa e não havia moradores de rua em seu interior sugerindo, portanto, que as “pessoas de bem” foram os agentes dos furtos.

O melhor do ano passado.

Sem dúvida o melhor do ano que passou foi a Lei Cidade Limpa, que possivelmente foi a mais democrática que surgiu nas últimas gestões da cidade. Sua “área de cobertura” abraçou empresas de todos os tamanhos, ricas e pobres, além de devolver uma cidade com menor poluição visual a todos. Até os que no inicio se colocaram contra a idéia, achando que obrigação de todos conviver com o lixo visual, hoje percebem aonde a coisa chegou. Podemos ver fachadas, cores e prédios reformados em todas as regiões e sem dúvida a cidade ficou mais bonita. Se você não percebeu há a opção de assistir ao filme “Bem-vindo a São Paulo” onde diversos cineastas filmaram curtas metragens com a cidade como pano de fundo, ou que pegue qualquer estrada em direção as nossas cidades vizinhas e vejam a diferença.
Bom, que isso sirva de lição que precisamos de Prefeitos que não temam repercussões negativas (prefeitos temem repercussões negativas mesmo que por 5 minutos) em prol do bem maior e coletivo, que se tornem legados para a cidade (pelo amor de qualquer deus, não significam novos minhocões, novos rios mortos, novas pontes estaiadas). Dimenstein soltou outra boa no dia 23. Ele disse que sonha com o dia que vai aparecer o cara que vai dizer: Nasci para ser prefeito de São Paulo, não quero senado, presidência ou governo de estado nada, quero ser só o prefeito de São Paulo. Essa veio num momento oportuno já que os partidos estão estudando a melhor estratégia para usar a nossa cidade como trampolim para outros cargos, como alias, aconteceu na última eleição, ou alguém aqui votou no Kassab (por melhor que seja sua administração)? Oxalá aconteça um dia.
“A coragem é rara quando a unanimidade assume o controle”

22 de janeiro de 2008

Agressividade

Há coisa de duas semanas saiu na revista da Folha 12 ou 20, não lembro bem, textos de até 100 palavras sobre a cidade de São Paulo. Chamou atenção (de mim e do editor da revista) que todos os textos versavam sobre violência, angustia, degradação e desespero. Parece-me que estes são os únicos sentimentos que nossa cidade tem sido capaz de provocar em seus habitantes, além de uma suposta pobreza literária, onde tudo hoje em dia se parece com reality show, mas esse não é o assunto que estou tratando aqui. O que eu digo é que estamos, todos, construindo uma cidade que parece mais o inferno de Dante, mais por culpa da “fauna” que a ocupa do que necessariamente problemas de viabilidade da metrópole. Claro que não estou dizendo que aí fora é um mar de rosas, mas essa cidade tem um nível que a maioria esmagadora das cidades e estados do Brasil não tem. Voltando a questão das pessoas, eu digo que há uma agressividade no ar e nas atitudes que são absolutamente desnecessárias. Seja no trânsito, nas relações mais próximas entre as pessoas no transporte público, o que vemos é uma falta de solidariedade, de companheirismo (hei, estamos no mesmo barco!!!) assustadores. Desde os passageiros que sempre tentam entrar no vagão do trem/metrô antes dos que estão dentro saiam até atitudes da Prefeitura que colocou arame farpado, aqueles de campo de concentração, no Pátio do Colégio, bem no mirante para a Várzea do Carmo e ao lado da cruz onde J. Paulo II rezou missa. Somos alvejados com todo o tipo de violência, como no mesmo Pátio do Colégio, a centímetros da parede da igreja original (ta, não é a original, mas é a que mais se aproxima), ter se transformado em um estacionamento (o tema “carros, o principal objeto de desejo e destruição” será abordado em um momento oportuno no futuro). Quer dizer, nem o passado escapa da nossa violência. Acredito que tenhamos um sério sub-desenvolvimento cultural, maior ainda que o sub-desenvolvimento educacional, pois o que eu acho é que o que falta é cultura e não necessariamente educação formal. Não acredito que precisemos de muitos anos de escola para perceber que não se deve jogar lixo no chão, esperar esvaziar um espaço limitado (vagão do trem) antes de enchê-lo novamente ou que o secretário de cultura ou o de patrimônio histórico não tenham educação suficiente para perceber que estão agredindo a cidade e os cidadãos mantendo o Pátio do Colégio daquela forma. Precisamos adicionar o bom senso à água assim como fazemos com o cloro e o flúor.

Noise

Nesse final de semana assisti a um filme que poderia ser ambientado em São Paulo. Trata-se de “Noise” com Tim Robbins onde o protagonista adquire uma patologia, um asco, uma aversão tal pelo barulho de Nova Iorque, que passa a depredar os carros cujos alarmes tocam incessantemente. Desta forma, trava-se uma briga entre o sujeito e sua família, pois evidentemente há punições para nosso “herói”. O que me chama a atenção, além de ser um filme interessante, é que em muitos dos diálogos as pessoas, moradoras da cidade, e passiveis dos mesmos sofrimentos dizem – porque se importar? Assustador assim mesmo, real assim mesmo. Não se importar com os assuntos que dizem respeito a todos, seguir apenas os instintos mais individualistas e egocêntricos se tornou o padrão de comportamento em São Paulo e em outras grandes cidades, como sugerido pelo filme. A solidariedade com o sofrimento alheio, gentileza e bom convívio foram abolidos das cidades o que gera mais sofrimento, mais agressividade e uma cidade progressivamente mais inviável. Arrematando, o cara do filme obviamente levou sua paranóia, justificável, até o limite, mesmo poucos tendo entendido o porque de um individuo estar desprendendo toda aquela energia pelo bem comum. Gostaria de saber quantos indivíduos aí pela rua se importam com o bem comum. Daqui da minha janela vejo as pessoas barbarizando com os carros, bem dentro do bairro residencial. Tiro daí então que não são muitas as que pensam no próximo.

4 de janeiro de 2008

Pós-Guerra ou pós-mais uma batalha

São Paulo, como inúmeras outras cidades brasileiras, não é para iniciantes. Na verdade, talvez seja um pouco mais dramática do que outras, pelo tamanho e pela proposta. Não sou especialista no assunto, a academia pode cuidar disso com mais competência, no entanto, se não podemos dizer que a cidade nasceu com interesses belicosos, certamente nasceu com interesses que perpetrariam alguma violência, neste caso contra os índios do planalto. Desde então, e já se vão mais de 450 anos, a cidade foi tomada, com mais ou menos intensidade, por diversos outros grupos cujo interesse não passava de "fazer" dinheiro na cidade. Esse é o mote principal até hoje e coordenou, por exemplo, a industrialização da cidade baseada na industria automotiva transformando o simples objeto carro na maior entidade da cidade, quiçá do Brasil, sendo agora onipresente e onipotente. Acredito que se a fabricação e venda de carros e acessórios não gerasse lucros para os envolvidos, dificilmente encontraríamos alguém capaz de dizer que estes não são agentes diretos da violência na cidade. Criou-se uma fauna na cidade que não entendeu direito o conceito crescente que São Paulo se tornara uma cidade industrial, objetiva e acelerada e optou pela truculência e a falta de humanidade, condições para viver com outros seres humanos. Você pode constatar nossa cordialidade com um "passeio" de carro ou tentando sair do metrô enquanto os que estão fora do vagão tentam entrar. Claro, como outra lei qualquer, as leis da física também sofrem resistência quanto sua aceitação. Fico ainda mais confuso quando meses após a batalha na frente da Catedral da Sé durante a Virada Cultura, outro tentáculo armado do poder constituído promove outra batalha, desta vez, o Natal Solidário, mesmo local, destinado a proporcionar shows e alguns presentes aos moradores de rua. Resumindo, a Guarda Civil Metropolitana, na verdade os homens que devem ter nomes e famílias (afinal, se esconder atrás das instituições para barbarizar por aí é ato corriqueiro no país) desceram o cacete nos moradores de rua. O evento é muito bem narrado pela vereadora Soninha, em seu blog na Folha (http://blogdasoninha.folha.blog.uol.com.br/arch2007-12-23_2007-12-29.html#2007_12-27_13_39_40-10366234-0).
Há quem diga que estas instituições, militarizadas ou não, ainda acreditam estar acima da própria sociedade e podem agir arbitrariamente. Mais curioso ainda é que alguns que teriam como intervir nas ações, digamos, desastradas destas corporações, como o governador, foram vítimas de tal truculência no passado. Lembra da entrada na faculdade quando no ano seguinte você mal pode esperar para aplicar o trote em outros calouros e revidar o que ocorreu com você mesmo.Seria pedir muito que as pessoas utilizassem mais a razão, em detrimento da truculência, no dia a dia e no desempenho de suas funções? Estamos de olho em vocês.