São Paulo, como inúmeras outras cidades brasileiras, não é para iniciantes. Na verdade, talvez seja um pouco mais dramática do que outras, pelo tamanho e pela proposta. Não sou especialista no assunto, a academia pode cuidar disso com mais competência, no entanto, se não podemos dizer que a cidade nasceu com interesses belicosos, certamente nasceu com interesses que perpetrariam alguma violência, neste caso contra os índios do planalto. Desde então, e já se vão mais de 450 anos, a cidade foi tomada, com mais ou menos intensidade, por diversos outros grupos cujo interesse não passava de "fazer" dinheiro na cidade. Esse é o mote principal até hoje e coordenou, por exemplo, a industrialização da cidade baseada na industria automotiva transformando o simples objeto carro na maior entidade da cidade, quiçá do Brasil, sendo agora onipresente e onipotente. Acredito que se a fabricação e venda de carros e acessórios não gerasse lucros para os envolvidos, dificilmente encontraríamos alguém capaz de dizer que estes não são agentes diretos da violência na cidade. Criou-se uma fauna na cidade que não entendeu direito o conceito crescente que São Paulo se tornara uma cidade industrial, objetiva e acelerada e optou pela truculência e a falta de humanidade, condições para viver com outros seres humanos. Você pode constatar nossa cordialidade com um "passeio" de carro ou tentando sair do metrô enquanto os que estão fora do vagão tentam entrar. Claro, como outra lei qualquer, as leis da física também sofrem resistência quanto sua aceitação. Fico ainda mais confuso quando meses após a batalha na frente da Catedral da Sé durante a Virada Cultura, outro tentáculo armado do poder constituído promove outra batalha, desta vez, o Natal Solidário, mesmo local, destinado a proporcionar shows e alguns presentes aos moradores de rua. Resumindo, a Guarda Civil Metropolitana, na verdade os homens que devem ter nomes e famílias (afinal, se esconder atrás das instituições para barbarizar por aí é ato corriqueiro no país) desceram o cacete nos moradores de rua. O evento é muito bem narrado pela vereadora Soninha, em seu blog na Folha (http://blogdasoninha.folha.blog.uol.com.br/arch2007-12-23_2007-12-29.html#2007_12-27_13_39_40-10366234-0).
Há quem diga que estas instituições, militarizadas ou não, ainda acreditam estar acima da própria sociedade e podem agir arbitrariamente. Mais curioso ainda é que alguns que teriam como intervir nas ações, digamos, desastradas destas corporações, como o governador, foram vítimas de tal truculência no passado. Lembra da entrada na faculdade quando no ano seguinte você mal pode esperar para aplicar o trote em outros calouros e revidar o que ocorreu com você mesmo.Seria pedir muito que as pessoas utilizassem mais a razão, em detrimento da truculência, no dia a dia e no desempenho de suas funções? Estamos de olho em vocês.
4 de janeiro de 2008
Pós-Guerra ou pós-mais uma batalha
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