22 de janeiro de 2008
Agressividade
Há coisa de duas semanas saiu na revista da Folha 12 ou 20, não lembro bem, textos de até 100 palavras sobre a cidade de São Paulo. Chamou atenção (de mim e do editor da revista) que todos os textos versavam sobre violência, angustia, degradação e desespero. Parece-me que estes são os únicos sentimentos que nossa cidade tem sido capaz de provocar em seus habitantes, além de uma suposta pobreza literária, onde tudo hoje em dia se parece com reality show, mas esse não é o assunto que estou tratando aqui. O que eu digo é que estamos, todos, construindo uma cidade que parece mais o inferno de Dante, mais por culpa da “fauna” que a ocupa do que necessariamente problemas de viabilidade da metrópole. Claro que não estou dizendo que aí fora é um mar de rosas, mas essa cidade tem um nível que a maioria esmagadora das cidades e estados do Brasil não tem. Voltando a questão das pessoas, eu digo que há uma agressividade no ar e nas atitudes que são absolutamente desnecessárias. Seja no trânsito, nas relações mais próximas entre as pessoas no transporte público, o que vemos é uma falta de solidariedade, de companheirismo (hei, estamos no mesmo barco!!!) assustadores. Desde os passageiros que sempre tentam entrar no vagão do trem/metrô antes dos que estão dentro saiam até atitudes da Prefeitura que colocou arame farpado, aqueles de campo de concentração, no Pátio do Colégio, bem no mirante para a Várzea do Carmo e ao lado da cruz onde J. Paulo II rezou missa. Somos alvejados com todo o tipo de violência, como no mesmo Pátio do Colégio, a centímetros da parede da igreja original (ta, não é a original, mas é a que mais se aproxima), ter se transformado em um estacionamento (o tema “carros, o principal objeto de desejo e destruição” será abordado em um momento oportuno no futuro). Quer dizer, nem o passado escapa da nossa violência. Acredito que tenhamos um sério sub-desenvolvimento cultural, maior ainda que o sub-desenvolvimento educacional, pois o que eu acho é que o que falta é cultura e não necessariamente educação formal. Não acredito que precisemos de muitos anos de escola para perceber que não se deve jogar lixo no chão, esperar esvaziar um espaço limitado (vagão do trem) antes de enchê-lo novamente ou que o secretário de cultura ou o de patrimônio histórico não tenham educação suficiente para perceber que estão agredindo a cidade e os cidadãos mantendo o Pátio do Colégio daquela forma. Precisamos adicionar o bom senso à água assim como fazemos com o cloro e o flúor.
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