22 de janeiro de 2008

Noise

Nesse final de semana assisti a um filme que poderia ser ambientado em São Paulo. Trata-se de “Noise” com Tim Robbins onde o protagonista adquire uma patologia, um asco, uma aversão tal pelo barulho de Nova Iorque, que passa a depredar os carros cujos alarmes tocam incessantemente. Desta forma, trava-se uma briga entre o sujeito e sua família, pois evidentemente há punições para nosso “herói”. O que me chama a atenção, além de ser um filme interessante, é que em muitos dos diálogos as pessoas, moradoras da cidade, e passiveis dos mesmos sofrimentos dizem – porque se importar? Assustador assim mesmo, real assim mesmo. Não se importar com os assuntos que dizem respeito a todos, seguir apenas os instintos mais individualistas e egocêntricos se tornou o padrão de comportamento em São Paulo e em outras grandes cidades, como sugerido pelo filme. A solidariedade com o sofrimento alheio, gentileza e bom convívio foram abolidos das cidades o que gera mais sofrimento, mais agressividade e uma cidade progressivamente mais inviável. Arrematando, o cara do filme obviamente levou sua paranóia, justificável, até o limite, mesmo poucos tendo entendido o porque de um individuo estar desprendendo toda aquela energia pelo bem comum. Gostaria de saber quantos indivíduos aí pela rua se importam com o bem comum. Daqui da minha janela vejo as pessoas barbarizando com os carros, bem dentro do bairro residencial. Tiro daí então que não são muitas as que pensam no próximo.

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